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Mensageiro Sideral

  1. Atualizado em -

    Mande seu nome para a Lua!

    Em mais uma tentativa (das boas) de fazer com que as pessoas participem mais do programa espacial, a Nasa está oferecendo a chance de que qualquer internauta coloque seu nome na próxima espaçonave americana a ir para a Lua.

    A Lunar Reconnaissance Orbiter deve partir no segundo semestre de 2008, numa curta viagem até a órbita de nosso satélite natural. Lá, a espaçonave passará um bom tempo fazendo os mapas mais precisos já produzidos da superfície lunar. É um esforço para retomar a exploração tripulada da Lua, por volta de 2020 (se os próximos presidentes dos EUA assim permitirem!).

    Os nomes serão colocados num microchip, a bordo da espaçonave, que vai espiralar até se espatifar na superfície lunar -- onde o dito chip, e seu nome com ele, provavelmente vai ser completamente vaporizado. :-P

    Para mandar seu nome nessa jornada sem volta, clique aqui. O prazo para o envio é até 27 de junho. O meu já está lá.

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  2. Atualizado em -

    O espaço já não é mais o que era antigamente

    O primeiro brasileiro a ir ao espaço era um piloto de caça da Força Aérea que treinou durante oito anos na Nasa, se preparando para as emergências mais perigosas e para as tarefas mais delicadas em microgravidade.

    O segundo brasileiro a ir ao espaço é um executivo de São Paulo que nunca pilotou nada que voasse.

    Definitivamente, não se faz mais astronautas como antigamente. E isso, na verdade, é uma boa notícia.

    Claro que é empolgante ver os profissionais altamente treinados para os perigos das missões espaciais em ação. Mas a humanidade nunca irá conquistar de fato a fronteira final se ela estiver restrita apenas aos profissionais altamente treinados.

    Essa é a grande magia do emergente mercado de turismo espacial, proporcionado por naves suborbitais como as que a Virgin Galactic pretende começar a operar comercialmente em 2009. Agora, pela primeira vez, o espaço estará aberto a todos -- ou, pelo menos, a uma parcela muito maior da população.

    Na lista em que figura o nome do brasileiro Bernardo Hartogs, de 53 anos, estão outras 249 pessoas. Ou seja, numa primeira leva, a Virgin Galactic vai transportar nada menos que 250 viajantes espaciais.

    Todas as missões espaciais realizadas desde 1961, até hoje, mandaram pouco mais de mil pessoas ao espaço. Isso dá uma medida do tamanho da revolução que estamos prestes a presenciar.

    Claro, isso ainda não é a definitiva conquista do espaço. Os vôos que o dinheiro dos cidadãos de classe média-alta poderão pagar apenas vão até a borda da atmosfera e retornam em seguida. Nada como entrar em órbita, e muito menos visitar a Estação Espacial Internacional ou outros corpos celestes.

    Mas é um começo. Um novo e muito promissor começo.

    O Mensageiro Espacial aposta que uma Segunda Era Espacial se inicia agora. E, desta vez, ninguém olhará para trás. Um momento empolgante da história humana se inicia. Depois das desgraças do século 20 (e algumas que ainda se alastram para o século 21), nós bem que merecemos.

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  3. Atualizado em -

    Quem será o primeiro turista espacial brasileiro?

    A BBC revelou, em reportagem, que um brasileiro já comprou sua passagem para voar a bordo da SpaceShipTwo, nave espacial comercial desenvolvida para a empresa britânica Virgin Galactic.

    O Mensageiro Sideral ligou para a Virgin e conversou com a Chefe de Vendas para Astronautas da companhia, Carolyn Wincer.

    "Sim, é verdade. Nós vendemos uma passagem para um brasileiro e faz algum tempo já", disse Wincer. "Foi no último verão [no Hemisfério Norte], algo como junho ou julho do ano passado."

    Pergunta que não quer calar: quem é o primeiro turista espacial brasileiro? "Lamento, essa informação é confidencial", explica Wincer. Nem uma pistazinha ela deu.

    E a verdade é que pode ser muita gente. A passagem cobrada pela Virgin é de US$ 200 mil, algo como R$ 350 mil. Com essa grana, a companhia promete levar o sujeito até a borda da atmosfera, a 100 km de altitude, passar alguns minutos em ambiente de sensação de ausência de peso, e um retorno rápido à Terra, num pouso similar ao de um avião.

    Embora ainda seja bem caro para o cidadão normal, tem muita gente no Brasil com bala para bancar a viagem.

    Quem será o pioneiro? A resposta poderá ficar escondida pelo menos até 2009, quando a companhia espera fazer seus primeiros vôos turísticos ao espaço. (Se alguém tiver uma pista, o Mensageiro Sideral agradece.)

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  4. Atualizado em -

    Dançando com as estrelas

    Às vezes a frieza da ciência esconde a beleza por trás do eternos balés cósmicos. Mas não foi esse o caso da imagem abaixo, recém-divulgada pela Nasa direto do sistema saturnino: de dados brutos para os pesquisadores ela pouco tem; mas a beleza desta visada obtida pela espaçonave Cassini é indizível. Voilà!



    Na foto, vê-se o gigante Saturno, com seus espetaculares anéis. De trás dele, surge Titã (acima, à direita), a maior das luas saturninas, avançando em sua órbita ao redor do planeta. Abaixo, à direita, Tétis, um dos satélites gelados. Titã tem cerca de cinco vezes o tamanho de Tétis, e a informação ajuda a entender a distância que os objetos guardavam da Cassini no momento da captação da imagem.

    A imagem foi capturada no dia 30 de janeiro, a cerca de 1,3 milhão de quilômetros de Saturno.

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  5. Atualizado em -

    Machadão fazia ficção científica!


    Foi com grande alegria que descobri que Machado de Assis, um dos grandes da nossa literatura (na minha modesta opinião, o maior deles), também escrevia ficção científica.

    O mérito da descoberta vai todo para o escritor Roberto de Sousa Causo, responsável pela organização de um livro com título pouco modesto, mas indiscutível qualidade: "Os melhores contos de ficção científica" (Devir Livraria).

    A obra, que chegou recentemente às minhas mãos, traz textos assinados por 11 autores -- um deles pelo próprio organizador (conto muito legal envolvendo contato com alienígenas que traz uma reflexão sobre o fato de que talvez nem toda a tecnologia do mundo ajude a resolver os problemas sociais do mundo). Mas a grande jóia da coroa, é difícil disputar, vem do bom e velho Machadão.


    Não que o conto dele que foi parar na coletânea, intitulado "O Imortal", seja um exemplo primoroso de ficção científica. Na verdade, apenas um tênue elemento de realidade (a poção indígena que transforma o pai do narrador num imortal não é apresentada como uma fórmula mágica, mas como uma peça de sabedoria que um dia, quiçá, a ciência poderá explicar) eleva-o do status de mera fantasia ao nível da ficção científica clássica. Ainda assim, a presença de Machado de Assis numa coletânea desse naipe faz muito para promover esse pouco reconhecido gênero literário.

    Com sua presença, ele eleva nomes de grande qualidade, mas pouco reconhecimento, como Jerônymo Monteiro e Jorge Luiz Calife (dois dos meus favoritos no livro), ajudando a demonstrar que ficção científica não é só coisa de gringo.

    Este último, inclusive, é ótimo exemplo da versão brasileira da "hard science fiction", coisa que tem cara de cinema americano, mas não precisa ter. No conto que consta da obra, "A morte do cometa", Calife narra o destino de uma expedição espacial promovida para salvar o núcleo moribundo do cometa Halley.

    Não é segredo para ninguém que o Mensageiro Sideral é um fã de longa data de ficção científica (que até já se arriscou a publicar algo do gênero aqui, aqui e aqui). Mas é sempre um prazer (e, infelizmente, uma surpresa) constatar quão bem representado está o gênero aqui na terra brasilis.

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  6. Atualizado em -

    De raspão por Encélado



    Apertem os cintos, pois a sonda Cassini está prestes a fazer um vôo rasante sobre a pequenina -- mas interessante -- lua Encélado. O encontro acontecerá durante a noite desta quarta-feira (12), e a espaçonave chegará a ficar a apenas 50 km da superfície daquele satélite natural de Saturno -- o mais próximo até agora na missão, que já dura quase quatro anos.

    Será uma oportunidade espetacular para analisar em detalhe a composição dos jatos de partículas emanados da lua. A idéia é que os dados ajudem os pesquisadores a entender como esse corpo celeste é por dentro -- o que pode reservar grandes emoções.

    Pois se foi justamente durante a missão da Cassini que os cientistas descobriram esses jatos em forma de gêiseres! O achado tornou Encélado um alvo muito mais interessante do que originalmente imaginado. Há quem especule até a existência de bolsões de água líquida no subsolo da pequena lua (ela tem apenas 500 km de diâmetro).

    E quando se fala em água líquida, estamos (ainda que discretamente) falando de vida! A Cassini será capaz de analisar a composição dos jatos e ver que compostos orgânicos se misturam à água no interior da lua. Fica a expectativa de grandes resultados.

    E, se você não agüentar esperar, a Nasa colocou no ar um blog do sobrevôo, escrito pelos próprios cientistas. Vale conferir (com a ressalva de que é em inglês) aqui.

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  7. Atualizado em -

    Veículo europeu tem problemas, após lançamento perfeito

    Após um lançamento espetacular, o cargueiro europeu Jules Verne já está em sua órbita designada, preparando-se para um encontro com a ISS (Estação Espacial Internacional) em abril. O entusiasmo foi tanto que poucos notaram, no meio de uma nota da ESA (Agência Espacial Européia) que o veículo não está na sua melhor forma.



    "Todos os sistemas de navegação, os rastreadores de estrelas e o sistema GPS estão funcionando normalmente e os painéis solares, que abriram com suavidade, estão fornecendo força total", diz a agência. "Entretanto, os computadores de bordo da espaçonave detectaram uma leve diferença de pressão entre o oxidante e o combustível que compõem o propelente."

    Ainda não está claro que impacto essa falha no sistema de propulsão terá para a missão -- os engenheiros estão analisando a situação, mas aparentemente o veículo tem condições de manobrar usando um sistema de reserva.

    Claro que esse não será o único desafio a ser vencido pelo Jules Verne. Parte do programa europeu ATV (Automated Tranfer Vehicle, ou Veículo de Transferência Automático), ele é a primeira nave européia a conduzir atracação automática seguindo as normas dos vôos tripulados. Entre os russos, as Soyuz e Progress têm capacidade para atracação automática (mas normalmente são conduzidas manualmente); já as naves americanas nunca tiveram essa capacidade.

    É certo que todos prenderão a respiração no centro de controle em Toulouse (França) até que o ATV Jules Verne esteja firmemente acoplado à ISS. O que ainda terá de esperar a chegada e a partida do ônibus espacial Endeavour que decola na próxima madrugada para a estação.

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  8. Atualizado em -

    Água em Marte foi miragem, dizem cientistas

    Nos últimos anos, uma série de estudos levantou a hipótese de que água, em seu estado líquido, fluía ocasionalmente em Marte. Primeiro, certas formações foram associadas a fluxos "recentes" de água (coisa de milhões de anos). Depois, comparando imagens dos mesmos locais separadas apenas por alguns anos, concluíram que certas marcas só podiam ter sido produzidas por água corrente. Mas tudo não passou de uma miragem.



    Pelo menos, é o que está sugerindo agora uma pesquisa realizada pela equipe de Jon Pelletier, da Universidade de Arizona em Tucson. E nada como um equipamento melhor para demonstrar a ilusão.

    Enquanto os estudos anteriores usavam imagens da velha-de-guerra Mars Global Surveyor, Pelletier trabalhou com fotos produzidas pela sonda mais recente despachada pela Nasa, a Mars Reconnaissance Orbiter. E o mais engraçado é que eles pretendiam, com o estudo, comprovar a ação da água.

    Para isso, simularam como as imagens ficariam se as formações tivessem sido produzidas pelo deslocamento de grãos de areia secos e pelo fluxo de água. E adivinhe qual das simulações ficou mais parecida com a imagem real? "Os grãos secos foram os vencedores", disse, em nota, Pelletier. "Eu fiquei surpreso. Comecei isso pensando que íamos provar que era água líquida."

    Moral da história: as miragens acontecem nos desertos não só para os homens sedentos que tentam atravessá-los. Também podem afetar cientistas que, com base em imagens de espaçonaves distantes do solo, tentam entender processos além da resolução que elas proporcionam.

    Não é a primeira vez que vimos isso acontecer no planeta vermelho. Temos, é claro, os casos bizarros, como a famosa "face de Marte". Fotografada originalmente pela missão Viking em 1976, ela depois se mostrou apenas uma montanha vulgar, ao ser "vista" pela superior Mars Global Surveyor, em 1997. Mas também há ocorrências mais sutis, que levam os cientistas a tirar conclusões sobre o planeta e depois os fazem mudar de idéia, assim que uma nova missão traz dados mais consistentes.

    Opinião do Mensageiro Sideral: só vamos realmente entender em detalhes tudo isso quando mandarmos gente para Marte. Nada substitui o olhar treinado de um geólogo, in loco, para decifrar o passado e o presente de um planeta. Na Terra, pelo menos, é assim que funciona.

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  9. Atualizado em -

    De exploradora de cometas a caçadora de planetas

    A Deep Impact veio, viu e venceu -- literalmente. Escalada pela Nasa para acompanhar o impacto de um projétil contra o cometa Tempel 1, ela fez direitinho seu papel, em 4 de julho de 2005. Missão cumprida, restou a pergunta: o que fazer com uma espaçonave perfeitamente funcional, depois que ela atinge seu objetivo?

    A resposta foi simples para a equipe responsável pela espaçonave: vamos inventar outro objetivo, ué?

    Colou, e a Nasa topou bancar mais uma temporada com a missão. O que é incomum é o objetivo da missão: ela vai caçar planetas fora do Sistema Solar!

    Usando sua câmera de alta resolução, ela deve estudar cinco estrelas próximas que, já se sabe, possuem planetas gigantes gasosos ao seu redor. Esses alvos possuem uma condição especial: eles fazem trânsito.

    Não, não adianta procurá-los na Av. Brasil. Fazer trânsitos, no jargão dos astrônomos, é transitar à frente de um outro objeto. No caso, a órbita desses planetas está de tal maneira alinhada que eles transitam à frente de suas estrelas. Quando isso acontece, a luz emanada da estrela-mãe carrega consigo uma assinatura da atmosfera do planeta em trânsito. Com isso, os pesquisadores esperam aprender um pouco mais sobre ele.

    Mas -- como diria a propaganda das facas Ginsu -- não é só isso! Os cientistas também esperam descobrir novos planetas ao redor desses sistemas, possivelmente alguns parecidos com a Terra.

    "Nossa melhor chance de detectar um planeta novo é o sistema GJ436", disse Drake Deming, do Centro Goddard de Vôo Espacial, da Nasa, ao Mensageiro Sideral. "Essa estrela anã M tem um planeta do tamanho de Netuno que faz trânsitos, e há sugestões de que tenha planetas como a Terra também. Como a estrela é pequena, um trânsito de um planeta do tamanho da Terra produzirá um sinal perceptível -- que devemos ver depois que eles tiverem os dados completamente calibrados e analisados."

    Deming lembra que planetas como a Terra não significam mundos com vida -- para os astrônomos, tudo que dá para dizer é se eles têm o tamanho parecido com o da Terra e estão numa posição favorável para o potencial florescimento de vida. Mas é só.

    Bem, é um começo. Ainda mais enquanto a Deep Impact não tem muito o que fazer, até 2010, quando ela fará um sobrevôo de um segundo cometa -- mais um bônus da missão original.

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  10. Atualizado em -

    A próxima nau capitânia da Nasa

    Quem não se encantou com as espetaculares imagens enviadas pela sonda Galileo, em Júpiter? E o que não dizer das sensacionais descobertas feitas pela Cassini em Saturno? Pois é. Essas duas missões destinadas aos dois maiores planetas do Sistema Solar tiveram, de fato, um custo gigante: foram projetos bilionários, que se estendiam por uma década.

    Ambas foram planejadas antes da entrada da Nasa na era do "faster, better, cheaper" ("mais rápido, melhor, mais barato"), slogan criado pelo ex-administrador Dan Goldin para caracterizar sua política na agência espacial americana, instituída em meados dos anos 1990. A idéia consistia em basicamente produzir mais missões, de menor porte, e evitar os grandes projetos, com maior risco envolvido.

    Depois da instituição dessa política (que, sejamos justos, deu muitíssimo certo na exploração de Marte), o planejamento de uma nova missão de grande porte ficou congelado.

    Até agora. Finalmente, após anos de espera, a Nasa terá uma nova "flagship", uma nau capitânia para marcar a exploração espacial no início do século 21.

    Você me pergunta: qual?

    Essa é a pergunta de 1 bilhão de dólares! A Nasa deve analisar diversas propostas e escolher uma ainda neste ano. O único pré-requisito é que seja direcionada aos chamados planetas exteriores (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno).

    E algumas idéias já estão circulando: um retorno à Titã, a maior das luas saturninas, que foi recentemente visitada pela sonda européia Huygens, é um dos fortes candidatos. Mas o grande favorito nessa competição é uma missão a Europa.

    Não o continente; uma das luas de Júpiter. Foi justamente a Galileo (corroborando dados das Voyagers) que apresentou o elemento mais apetitoso para uma missão desse tipo: suas imagens revelaram um mundo gélido, com uma superfície congelada, mas -- surpresa! -- um oceano global de água no subsolo.

    Desde então, os cientistas têm salivado por uma oportunidade de despachar um robô-submarino (como o da imagem acima) para navegar pelo oceano europano e, quiçá, descobrir nele possíveis formas de vida.

    Um projeto desse porte, sem dúvida, exigiria um orçamento de "flagship". Afinal, não é coisa fácil perfurar uma superfície de gelo com mais de um quilômetro de profundidade para atingir um oceano lá embaixo, navegar por lá e -- elementar, meu caro Watson -- enviar os dados coletados de volta à Terra.

    Hoje, há dúvidas de que já exista a tecnologia para a realização da missão. Mas quem sabe a Nasa não decide encarar o desafio? Pelo planejamento da agência, essa espaçonave só deveria ser lançada em 2016-2017. Até lá, dá para pensar um bocado em como responder às dificuldades.

    Mas, claro, esse orçamento apresentado, embora tenha sido aprovado pelo presidente George W. Bush, depende ainda de aprovação no Congresso americano para ser executado.

    No total, a Nasa requisitou para 2009 cerca de US$ 17,6 bilhões -- um aumento de 1,8% sobre o valor pedido no ano anterior. Com a verba, a agência conseguiria aplacar a fúria dos cientistas, que reclamavam no ano passado de cortes profundos em ciência para tocar os projetos do ônibus espacial e seu futuro substituto, mais a Estação Espacial Internacional.

    Vamos ver se vai vingar. O horizonte é promissor.


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  11. Atualizado em -

    Pula fogueira, iá, iá...

    Não foi festa de São João, mas teve foguetório. Cumprindo seu planejamento original, a Marinha americana conseguiu alvejar ontem, com um míssil, um satélite-espião desgarrado de sua frota espacial. O impacto ocorreu conforme o previsto, a 247 km de altitude.

    Aparentemente, o esforço foi um grande sucesso. Quebrado em pedacinhos menores, o satélite deve queimar inteiramente na atmosfera e deixar de oferecer qualquer risco aos habitantes da Terra. Mas o assunto está longe de ser encerrado.

    Agora, como dizem na terra do tio Sam, a bola está na quadra da China. A turma do Oriente já havia manifestado certa apreensão com o esforço militar americano, e analistas acreditam que o sucesso poderia motivar os chineses a fazer nova demonstração de sua capacidade de destruir satélites, primeiro provada em janeiro de 2007.

    Os militares americanos, por outro lado, têm mais um argumento para defender a criação de seu escudo antimísseis. Nada como um teste militar bem-sucedido, travestido de ação defensiva supostamente preocupada com a saúde humana, para empurrar essa nova versão do velho projeto "Guerra nas Estrelas" para a opinião pública.

    O teste prova também o perigo de um escudo antimísseis: como muitos de seus críticos gostam de apontar, no caso dos satélites, ele serve até melhor como arma ofensiva do que como defesa. O que, na verdade, nem surpreende tanto, vindo do governo George W. Bush...

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  12. Atualizado em -

    Bang-bang espacial pode ficar para quinta

    Segundo a France Presse, o tiro ao alvo de satélite-espião dos EUA tem boa chance de ficar para quinta-feira, por conta do mau tempo. Acabamos de publicar uma reportagem no G1 sobre isso. Vale a pena clicar, sobretudo por conta do infográfico que explica como a ação vai se dar.

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  13. Atualizado em -

    Satélite-espião pode ser derrubado na quarta


    Enquanto todo mundo estiver distraído com o belo espetáculo do eclipse lunar, na noite desta quarta-feira, os americanos podem fazer sua tentativa de derrubar um satélite-espião, lançando um foguete para derrubá-lo. O esforço vem pouco mais de um ano depois de a China ter sido criticada por todo mundo e mais alguém por lançar um foguete para derrubar um de seus satélites meteorológicos. Agora, quero ver Cuba lançar.

    Bem, o fato é que a Marinha americana já está posicionando seus navios no norte do Pacífico, de onde deve partir o disparo que atingirá o satélite-espião registrado como USA-193. A tentativa pode ocorrer já na virada de quarta para quinta-feira (por volta das 23h30, no horário de Brasília).

    A idéia é despedaçar o satélite antes que ele faça sua reentrada na atmosfera terrestre. A desculpa é que ele possui grandes quantidades de combustível tóxico, que poderiam contaminar regiões em terra se caíssem num pedaço só. E o argumento inconfessável é que os Estados Unidos não querem que pedaços grandes de um satélite-espião caiam em mãos inimigas.

    A pancada vai acontecer a cerca de 240 km de altitude, e a expectativa gerada por uma simulação de computador (divulgada pelo site Space.com, aqui) é a de que (felizmente) poucos detritos permaneçam em órbita. Mas a grande verdade é que nenhuma simulação (ainda mais uma tão pouco informada e cheia de variáveis desconhecidas) substitui a realidade. E só os deuses astronautas sabem o que vai acontecer quando o foguetinho da Marinha americana encontrar seu alvo. Bem, logo saberemos. Ou não.

    O caso tem sido tratado com certa discrição na terra do tio Sam. Mas o Mensageiro Sideral está atento. Pintando novidade, reportaremos. Stay tuned.

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  14. Atualizado em -

    Apertem os cintos, o piloto sumiu

    Os ucranianos estão aturdidos com a Agência Espacial Brasileira. Muito havia para discutir sobre o projeto conjunto das duas nações para o desenvolvimento de um negócio de lançamento comercial de satélites a partir do centro de Alcântara, no Maranhão, com tecnologia de foguetes da ex-república soviética. Mas os trabalhos seguem em passo de tartaruga. E o que não entra na cabeça de nossos parceiros é que boa parte dos atrasos se dá pela falta de um presidente na Agência Espacial Brasileira. COnvenhamos, não deveria entrar nas nossas cabeças também.

    Não que ninguém esteja ocupando a cadeira deixada vaga pelo político e engenheiro Sergio Gaudenzi (PSB-BA). O cargo está interinamente nas mãos de Miguel Renze, um dos engenheiros da agência que assumiam a posição, em esquema de revezamento, quando Gaudenzi se ausentava do país. Servidor competente e técnico, não há dúvida, mas sem a envergadura política que estava servindo de propulsora à AEB nos últimos três anos.

    O governo pretende preencher a vaga com outro membro do PSB, mantendo a aliança forjada com o partido no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia. Ou finge que pretende, pelo menos. Porque Renze está nessa posição de "chove-não-molha" no comando da agência desde agosto último. Pois é, completamos cinco meses com um comandante interino e sem poderes para grandes decisões. E ainda tentamos convencer os ucranianos de que levamos o programa espacial a sério.

    O Mensageiro Sideral apurou que o PSB chegou a indicar para a posição um político de suas fileiras: Cesar Callegari, atual secretário de Educação de Taboão da Serra, município na zona metropolitana de São Paulo.

    Callegari prometeu pensar no assunto, viajou a Brasília, foi apresentado formalmente aos funcionários da AEB e... recusou o cargo. Isso aconteceu em meados de outubro. Desde então, a movimentação anda lenta nos bastidores para escalar um novo presidente para a agência. Começaram a circular rumores -- até hoje não confirmados nem desmentidos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -- de que Renze seria deixado no cargo em definitivo.

    Enquanto isso, vai erodindo o trabalho de três anos que Gaudenzi, hoje escolhido pelo governo federal para apagar o incêndio da Infraero em meio à crise aérea, conduziu para colocar a AEB numa posição de respeito em meio às prioridades políticas do governo em Brasília. Sem respaldo político, a agência perde a condição de efetivamente ditar as políticas do programa espacial. Deixa Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e IAE (Instituto de Aeronática e Espaço) com mais liberdade para empurrarem suas próprias agendas, em vez de seguirem um programa coeso ditado por um órgão independente.

    O saldo é a crescente perda de respeitabilidade do Brasil no exterior. Seguindo os passos da França, que desistiu de fazer um satélite em parceria conosco pela inação que viu por aqui ao longo de anos, e dos Estados Unidos, que dispensou o Brasil do projeto da Estação Espacial Internacional após quase oito anos de enrolação, outros importantes parceiros internacionais, como China e Ucrânia, podem seguir os mesmos passos no futuro, a não ser que o governo comece a levar o programa a sério e dê à Agência Espacial Brasileira o suporte de que ela necessita para moldar o futuro do país no espaço.

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  15. Atualizado em -

    Top Ten do Mensageiro Sideral, 2007

    Para fechar o ano, mais uma edição dos dez maiores avanços espaciais do ano, escolhidos pelo Mensageiro Sideral.

    10- O último adeus

    O ano começou desanimado para a exploração marciana, quando a Nasa admitiu a perda da venerável sonda Mars Global Surveyor, depois de quase dez anos de serviços em órbita marciana. O contato com a espaçonave foi perdido no final de 2006, mas a agência espacial americana só admitiu a derrota em abril de 2007. A Global Surveyor foi protagonista de descobertas importantes, como a constatação de que água fluiu pela superfície marciana esporadicamente em épocas recentes (uns poucos milhões de anos, que são uma ninharia em termos geológicos), e iniciou uma revolução no programa de exploração marciano. Embora tenha se perdido, seu legado viverá muito além deste ano que passou.

    9- Raios!

    A primeira investida européia contra Vênus entrou em órbita no ano passado, mas foi em 2007 que ocorreram as publicações dos resultados relativos ao primeiro ano da missão. A espaçonave teve desempenho acima das expectativas e já fez descobertas novas e importantes sobre o planeta que é o "gêmeo malvado" da Terra. Entre elas, descobrimos que a densa e enevoada atmosfera daquele mundo também produz relâmpagos, parecidos com os que existem por aqui. Mais um lembrete de que, apesar do inferno escaldante de 450 graus Celsius, Vênus e Terra têm mais coisas em comum do que gostariam de admitir.

    8- No vazio do espaço

    Duas sondas da Nasa contrariaram a lei das probabilidades e
    partiram da Terra rumo às suas respectivas "missões impossíveis". A primeira a subir foi a Phoenix, cujo nome com justiça remonta à criatura mítica que ressurge das cinzas. Seu objetivo será, no ano que vem, pousar nos arredores do pólo Norte de Marte -- tarefa idêntica à que teve a malograda Mars Polar Lander (com a diferença de que sua antecessora, em 1999, tentou descer no pólo Sul). Pousar no planeta vermelho nunca e fácil, e a coisa fica mais complicada num terreno tão diferente quanto a região polar. Ainda não há garantia de sucesso.

    A outra heroína do ano a iniciar sua jornada foi a americana Dawn. Ela terá por objetivo, em alguns anos, visitar os dois maiores objetos do Sistema Solar, o planeta anão Ceres e o
    asteróide Vesta. Mas, diferentemente da Phoenix, a Dawn parece já ter enfrentado suas maiores dificuldades. A missão chegou a ser cancelada pela Nasa, que acabou "ressuscitando-a" após os protestos dos cientistas. Só o tempo dirá o quanto valeu a pena, mas é uma missão que entusiasma muito o Mensageiro Sideral, sobretudo depois que surgiram indícios de que talvez haja uma camada de água no subsolo congelado de Ceres.

    7- Em obras

    Outro grande destaque deste ano foram as missões dos ônibus espaciais. Foram apenas três vôos e o quarto quase aconteceu, mas foi adiado para janeiro de 2008. De todo modo, as etapas sucessivas de montagem da Estação
    Espacial Internacional estão cada vez mais empolgantes. Os astronautas enfrentaram várias dificuldades, sobretudo para montar os painéis solares. Mas talvez o sucesso todo tenha sido ofuscado pelo sinistro caso de Lisa Novak, a então astronauta que teve chiliques na disputa pelo amor de um colega de trabalho. De toda forma, não é por que uma viajante espacial viaja na maionese que devemos desconsiderar todo o bom trabalho executado durante o ano, não é?

    6- Que planeta do Corot!

    Não, não é um palavrão francês. É o satélite franco-europeu, com suave participação brasileira, que foi lançado no fim do
    ano passado com o objetivo, entre outras coisas, de descobrir vários punhados de planetas fora do Sistema Solar -- inclusive alguns parecidos com a Terra. Essa enxurrada planetária ainda não aconteceu, mas pelo menos neste ano já vimos que o brinquedinho funciona: a CNES (agência espacial francesa) anunciou a descoberta do primeiro planeta com o satélite. Ele é um gigantão maior que Júpiter, como tantos descobertos antes, mas já deu um gostinho do que deve estar por vir em breve. Os cientistas se disseram positivamente surpresos com o desempenho dos instrumentos, o que só pode ser visto como uma boa notícia.

    5- Só de passagem. Mas que passagem...

    A sonda New Horizons está a caminho de Plutão, onde deve chegar em 2015. Mas neste ano já deu uma amostra de seu poder, durante um sobrevôo rápido por Júpiter. A passagem tinha por objetivo apenas servir de "estilingue gravitacional", fazendo com que a espaçonave atingisse seu objetivo final na data marcada, mas os cientistas aproveitaram a oportunidade para testar os instrumentos científicos a bordo e coletar dados interessantes sobre o maior dos planetas do Sistema Solar. Claro que, além dos dados brutos, a New Horizons também produziu imagens belíssimas.

    4- Super-supernova(s)

    Depois de anunciar a descoberta da supernova mais brilhante do Universo, no ano passado, o astrônomo Robert
    Quimby, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), nos EUA, achou que já tivesse visto de tudo. E tinha mesmo -- mas não havia reconhecido. Ao analisar os dados coletados nos últimos anos, ele descobriu que uma outra supernova, observada por ele em 2005, é ainda mais brilhante, superando a recordista de 2006. A nova recordista, identificada como SN 2005ap, está localizada na constelação da Cabeleira de Berenice, a uma distância de 4,7 bilhões de anos-luz (1 ano-luz é a distância que a luz percorre no vácuo em um ano, cerca de 9,5 trilhões de quilômetros).Ela tem um brilho 300 vezes maior que a média das supernovas de sua categoria -- o equivalente a 100 bilhões de vezes o brilho do Sol. Como é possível que um astro assim exista segue sendo um mistério.

    3- A união do espírito com a oportunidade

    Os robôs Spirit e Opportunity definitivamente mostraram a que vieram no ano de 2007. Enfrentaram com muita bravura (e economia de energia) uma megatempestade de areia em Marte. Esses eventos, que acontecem de tempos em tempos no planeta vermelho, chegam a obscurecer mais de 90% da luz solar -- que, em Marte, já não é lá essas coisas, se comparada com a da Terra. Os engenheiros não estavam muito otimistas quanto à sobrevivência dos jipes (que estão lá desde 2004), mas fizeram de tudo para preservá-los. E deu certo. A tempestade passou e os jipes sobreviveram para contar a história. Bom para a ciência, que poderá contar mais um tempinho com essa extraordinária ferramenta de pesquisa sobre nosso vizinho mais hospitaleiro no Sistema Solar.

    2- Entre japas e chinas

    A corrida para a Lua começou para valer com os lançamentos das sondas Chang'E 1, primeira de uma série de espaçonaves de exploração lunar produzidas pelo agora pujante programa espacial da China, e Kaguya (antiga Selene), orbitador japonês destinado ao estudo do satélite natural da Terra. A Chang'E 1 produziu belas imagens tridimensionais, como a que está aí ao lado, e a Kaguya também está funcionando muito bem. E é só o começo. No ano que vem, teremos uma nova espaçonave americana no pedaço. São claros sinais de que o projeto da Nasa de levar astronautas à Lua até 2020 parece mesmo estar se concretizando.

    1- Terra Nova?

    A descoberta do ano no campo da astronomia foi, sem dúvida, a localização de um planeta potencialmente habitável fora do Sistema Solar. É o primeiro astro da categoria rochosa (como a Terra) a ser encontrado na chamada "zona de habitabilidade", região em que a água, em tese, pode ser mantida em estado líquido na superfície. O achado foi da equipe de Michel Mayor, do Observatório de Genebra, e apresenta a prova definitiva de que não há nada de especial com a Terra em termos de composição e localização no Sistema Solar. Ainda está longe de confirmar a presença de vida extraterrestre, mas sem dúvida foi um dos passos mais importantes dados nessa direção até agora.

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Mensageiro Sideral

O Universo, com seus 13,7 bilhões de anos e bilhões de galáxias, cada uma delas com bilhões de estrelas, tem infindáveis histórias a serem contadas. Aqui exploraremos uma pequena amostra. Meu nome é Salvador Nogueira. Sou jornalista científico desde 2000, editor de Ciência e Saúde do G1 e autor dos livros "Rumo ao Infinito: Passado e Futuro da Aventura Humana na Conquista do Espaço" e "Conexão Wright-Santos-Dumont: A Verdadeira História da Invenção do Avião".






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