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Mensageiro Sideral

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    Apertem os cintos, o piloto sumiu

    Os ucranianos estão aturdidos com a Agência Espacial Brasileira. Muito havia para discutir sobre o projeto conjunto das duas nações para o desenvolvimento de um negócio de lançamento comercial de satélites a partir do centro de Alcântara, no Maranhão, com tecnologia de foguetes da ex-república soviética. Mas os trabalhos seguem em passo de tartaruga. E o que não entra na cabeça de nossos parceiros é que boa parte dos atrasos se dá pela falta de um presidente na Agência Espacial Brasileira. COnvenhamos, não deveria entrar nas nossas cabeças também.

    Não que ninguém esteja ocupando a cadeira deixada vaga pelo político e engenheiro Sergio Gaudenzi (PSB-BA). O cargo está interinamente nas mãos de Miguel Renze, um dos engenheiros da agência que assumiam a posição, em esquema de revezamento, quando Gaudenzi se ausentava do país. Servidor competente e técnico, não há dúvida, mas sem a envergadura política que estava servindo de propulsora à AEB nos últimos três anos.

    O governo pretende preencher a vaga com outro membro do PSB, mantendo a aliança forjada com o partido no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia. Ou finge que pretende, pelo menos. Porque Renze está nessa posição de "chove-não-molha" no comando da agência desde agosto último. Pois é, completamos cinco meses com um comandante interino e sem poderes para grandes decisões. E ainda tentamos convencer os ucranianos de que levamos o programa espacial a sério.

    O Mensageiro Sideral apurou que o PSB chegou a indicar para a posição um político de suas fileiras: Cesar Callegari, atual secretário de Educação de Taboão da Serra, município na zona metropolitana de São Paulo.

    Callegari prometeu pensar no assunto, viajou a Brasília, foi apresentado formalmente aos funcionários da AEB e... recusou o cargo. Isso aconteceu em meados de outubro. Desde então, a movimentação anda lenta nos bastidores para escalar um novo presidente para a agência. Começaram a circular rumores -- até hoje não confirmados nem desmentidos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -- de que Renze seria deixado no cargo em definitivo.

    Enquanto isso, vai erodindo o trabalho de três anos que Gaudenzi, hoje escolhido pelo governo federal para apagar o incêndio da Infraero em meio à crise aérea, conduziu para colocar a AEB numa posição de respeito em meio às prioridades políticas do governo em Brasília. Sem respaldo político, a agência perde a condição de efetivamente ditar as políticas do programa espacial. Deixa Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e IAE (Instituto de Aeronática e Espaço) com mais liberdade para empurrarem suas próprias agendas, em vez de seguirem um programa coeso ditado por um órgão independente.

    O saldo é a crescente perda de respeitabilidade do Brasil no exterior. Seguindo os passos da França, que desistiu de fazer um satélite em parceria conosco pela inação que viu por aqui ao longo de anos, e dos Estados Unidos, que dispensou o Brasil do projeto da Estação Espacial Internacional após quase oito anos de enrolação, outros importantes parceiros internacionais, como China e Ucrânia, podem seguir os mesmos passos no futuro, a não ser que o governo comece a levar o programa a sério e dê à Agência Espacial Brasileira o suporte de que ela necessita para moldar o futuro do país no espaço.

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