Pula fogueira, iá, iá...Não foi festa de São João, mas teve
foguetório. Cumprindo seu planejamento original, a Marinha americana conseguiu alvejar ontem, com um míssil, um satélite-espião desgarrado de sua frota espacial. O impacto ocorreu conforme o previsto, a 247 km de altitude.
Aparentemente, o esforço foi um grande sucesso. Quebrado em pedacinhos menores, o satélite deve queimar inteiramente na atmosfera e deixar de oferecer qualquer risco aos habitantes da Terra. Mas o assunto está longe de ser encerrado.
Agora, como dizem na terra do tio Sam, a bola está na quadra da China. A turma do Oriente já havia manifestado certa apreensão com o esforço militar americano, e analistas acreditam que o sucesso poderia motivar os chineses a fazer nova demonstração de sua capacidade de destruir satélites, primeiro provada em janeiro de 2007.
Os militares americanos, por outro lado, têm mais um argumento para defender a criação de seu escudo antimísseis. Nada como um teste militar bem-sucedido, travestido de ação defensiva supostamente preocupada com a saúde humana, para empurrar essa nova versão do velho projeto "Guerra nas Estrelas" para a opinião pública.
O teste prova também o perigo de um escudo antimísseis: como muitos de seus críticos gostam de apontar, no caso dos satélites, ele serve até melhor como arma ofensiva do que como defesa. O que, na verdade, nem surpreende tanto, vindo do governo George W. Bush...