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    A próxima nau capitânia da Nasa

    Quem não se encantou com as espetaculares imagens enviadas pela sonda Galileo, em Júpiter? E o que não dizer das sensacionais descobertas feitas pela Cassini em Saturno? Pois é. Essas duas missões destinadas aos dois maiores planetas do Sistema Solar tiveram, de fato, um custo gigante: foram projetos bilionários, que se estendiam por uma década.

    Ambas foram planejadas antes da entrada da Nasa na era do "faster, better, cheaper" ("mais rápido, melhor, mais barato"), slogan criado pelo ex-administrador Dan Goldin para caracterizar sua política na agência espacial americana, instituída em meados dos anos 1990. A idéia consistia em basicamente produzir mais missões, de menor porte, e evitar os grandes projetos, com maior risco envolvido.

    Depois da instituição dessa política (que, sejamos justos, deu muitíssimo certo na exploração de Marte), o planejamento de uma nova missão de grande porte ficou congelado.

    Até agora. Finalmente, após anos de espera, a Nasa terá uma nova "flagship", uma nau capitânia para marcar a exploração espacial no início do século 21.

    Você me pergunta: qual?

    Essa é a pergunta de 1 bilhão de dólares! A Nasa deve analisar diversas propostas e escolher uma ainda neste ano. O único pré-requisito é que seja direcionada aos chamados planetas exteriores (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno).

    E algumas idéias já estão circulando: um retorno à Titã, a maior das luas saturninas, que foi recentemente visitada pela sonda européia Huygens, é um dos fortes candidatos. Mas o grande favorito nessa competição é uma missão a Europa.

    Não o continente; uma das luas de Júpiter. Foi justamente a Galileo (corroborando dados das Voyagers) que apresentou o elemento mais apetitoso para uma missão desse tipo: suas imagens revelaram um mundo gélido, com uma superfície congelada, mas -- surpresa! -- um oceano global de água no subsolo.

    Desde então, os cientistas têm salivado por uma oportunidade de despachar um robô-submarino (como o da imagem acima) para navegar pelo oceano europano e, quiçá, descobrir nele possíveis formas de vida.

    Um projeto desse porte, sem dúvida, exigiria um orçamento de "flagship". Afinal, não é coisa fácil perfurar uma superfície de gelo com mais de um quilômetro de profundidade para atingir um oceano lá embaixo, navegar por lá e -- elementar, meu caro Watson -- enviar os dados coletados de volta à Terra.

    Hoje, há dúvidas de que já exista a tecnologia para a realização da missão. Mas quem sabe a Nasa não decide encarar o desafio? Pelo planejamento da agência, essa espaçonave só deveria ser lançada em 2016-2017. Até lá, dá para pensar um bocado em como responder às dificuldades.

    Mas, claro, esse orçamento apresentado, embora tenha sido aprovado pelo presidente George W. Bush, depende ainda de aprovação no Congresso americano para ser executado.

    No total, a Nasa requisitou para 2009 cerca de US$ 17,6 bilhões -- um aumento de 1,8% sobre o valor pedido no ano anterior. Com a verba, a agência conseguiria aplacar a fúria dos cientistas, que reclamavam no ano passado de cortes profundos em ciência para tocar os projetos do ônibus espacial e seu futuro substituto, mais a Estação Espacial Internacional.

    Vamos ver se vai vingar. O horizonte é promissor.


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Mensageiro Sideral

O Universo, com seus 13,7 bilhões de anos e bilhões de galáxias, cada uma delas com bilhões de estrelas, tem infindáveis histórias a serem contadas. Aqui exploraremos uma pequena amostra. Meu nome é Salvador Nogueira. Sou jornalista científico desde 2000, editor de Ciência e Saúde do G1 e autor dos livros "Rumo ao Infinito: Passado e Futuro da Aventura Humana na Conquista do Espaço" e "Conexão Wright-Santos-Dumont: A Verdadeira História da Invenção do Avião".






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