De exploradora de cometas a caçadora de planetas
A Deep Impact veio, viu e venceu -- literalmente. Escalada pela Nasa para acompanhar o impacto de um projétil contra o cometa Tempel 1, ela fez direitinho seu papel, em 4 de julho de 2005. Missão cumprida, restou a pergunta: o que fazer com uma espaçonave perfeitamente funcional, depois que ela atinge seu objetivo?
A resposta foi simples para a equipe responsável pela espaçonave: vamos inventar outro objetivo, ué?
Colou, e a Nasa topou bancar mais uma temporada com a missão. O que é incomum é o objetivo da missão: ela vai caçar planetas fora do Sistema Solar!
Usando sua câmera de alta resolução, ela deve estudar cinco estrelas próximas que, já se sabe, possuem planetas gigantes gasosos ao seu redor. Esses alvos possuem uma condição especial: eles fazem trânsito.
Não, não adianta procurá-los na Av. Brasil. Fazer trânsitos, no jargão dos astrônomos, é transitar à frente de um outro objeto. No caso, a órbita desses planetas está de tal maneira alinhada que eles transitam à frente de suas estrelas. Quando isso acontece, a luz emanada da estrela-mãe carrega consigo uma assinatura da atmosfera do planeta em trânsito. Com isso, os pesquisadores esperam aprender um pouco mais sobre ele.
Mas -- como diria a propaganda das facas Ginsu -- não é só isso! Os cientistas também esperam descobrir novos planetas ao redor desses sistemas, possivelmente alguns parecidos com a Terra.

"Nossa melhor chance de detectar um planeta novo é o sistema GJ436", disse Drake Deming, do Centro Goddard de Vôo Espacial, da Nasa, ao
Mensageiro Sideral. "Essa estrela anã M tem um planeta do tamanho de Netuno que faz trânsitos, e há sugestões de que tenha planetas como a Terra também. Como a estrela é pequena, um trânsito de um planeta do tamanho da Terra produzirá um sinal perceptível -- que devemos ver depois que eles tiverem os dados completamente calibrados e analisados."
Deming lembra que planetas como a Terra não significam mundos com vida -- para os astrônomos, tudo que dá para dizer é se eles têm o tamanho parecido com o da Terra e estão numa posição favorável para o potencial florescimento de vida. Mas é só.
Bem, é um começo. Ainda mais enquanto a Deep Impact não tem muito o que fazer, até 2010, quando ela fará um sobrevôo de um segundo cometa -- mais um bônus da missão original.