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    Água em Marte foi miragem, dizem cientistas

    Nos últimos anos, uma série de estudos levantou a hipótese de que água, em seu estado líquido, fluía ocasionalmente em Marte. Primeiro, certas formações foram associadas a fluxos "recentes" de água (coisa de milhões de anos). Depois, comparando imagens dos mesmos locais separadas apenas por alguns anos, concluíram que certas marcas só podiam ter sido produzidas por água corrente. Mas tudo não passou de uma miragem.



    Pelo menos, é o que está sugerindo agora uma pesquisa realizada pela equipe de Jon Pelletier, da Universidade de Arizona em Tucson. E nada como um equipamento melhor para demonstrar a ilusão.

    Enquanto os estudos anteriores usavam imagens da velha-de-guerra Mars Global Surveyor, Pelletier trabalhou com fotos produzidas pela sonda mais recente despachada pela Nasa, a Mars Reconnaissance Orbiter. E o mais engraçado é que eles pretendiam, com o estudo, comprovar a ação da água.

    Para isso, simularam como as imagens ficariam se as formações tivessem sido produzidas pelo deslocamento de grãos de areia secos e pelo fluxo de água. E adivinhe qual das simulações ficou mais parecida com a imagem real? "Os grãos secos foram os vencedores", disse, em nota, Pelletier. "Eu fiquei surpreso. Comecei isso pensando que íamos provar que era água líquida."

    Moral da história: as miragens acontecem nos desertos não só para os homens sedentos que tentam atravessá-los. Também podem afetar cientistas que, com base em imagens de espaçonaves distantes do solo, tentam entender processos além da resolução que elas proporcionam.

    Não é a primeira vez que vimos isso acontecer no planeta vermelho. Temos, é claro, os casos bizarros, como a famosa "face de Marte". Fotografada originalmente pela missão Viking em 1976, ela depois se mostrou apenas uma montanha vulgar, ao ser "vista" pela superior Mars Global Surveyor, em 1997. Mas também há ocorrências mais sutis, que levam os cientistas a tirar conclusões sobre o planeta e depois os fazem mudar de idéia, assim que uma nova missão traz dados mais consistentes.

    Opinião do Mensageiro Sideral: só vamos realmente entender em detalhes tudo isso quando mandarmos gente para Marte. Nada substitui o olhar treinado de um geólogo, in loco, para decifrar o passado e o presente de um planeta. Na Terra, pelo menos, é assim que funciona.

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Mensageiro Sideral

O Universo, com seus 13,7 bilhões de anos e bilhões de galáxias, cada uma delas com bilhões de estrelas, tem infindáveis histórias a serem contadas. Aqui exploraremos uma pequena amostra. Meu nome é Salvador Nogueira. Sou jornalista científico desde 2000, editor de Ciência e Saúde do G1 e autor dos livros "Rumo ao Infinito: Passado e Futuro da Aventura Humana na Conquista do Espaço" e "Conexão Wright-Santos-Dumont: A Verdadeira História da Invenção do Avião".






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